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Projeto Clicar

entre o lúdico e a compreensão | espaço de lazer e aprendizado
possibilidade de expressão e criatividade | processo educativo e um pouco de história

 

Processo educativo e um pouco de história

Uma das freqüentes perguntas que fazem sobre o projeto é qual a didática adotada pelo Clicar já que não é exigida a freqüência, então como se avalia a criança? Dirce explica que a idéia básica é que a criança ou adolescente que queira retornar, se sinta estimulado a aprender, a ter auto confiança, a entender que tem potencial. "Isso se dá no dia-a-dia. A freqüência da criança demonstra a importância que ela dá para o espaço e o interesse em participar de atividades que lhe proporcionam aprendizado significativo. Muitas vezes ela própria divide o seu tempo, entre o trabalho e a vida na rua, para poder estar no Clicar. Essa, sem dúvida, é uma decisão que demonstra muita responsabilidade", analisa.
 O processo educativo acontece através do jogo, da leitura dos interesses individuais e coletivos, da proposição de desafios e principalmente do diálogo e da escuta. A coordenadora afirma ainda que não há avaliação, no sentido escolar do termo, ou seja, através de notas, mas sim um constante trabalho do educador para escutar e dialogar com cada criança buscando proporcionar caminhos para que ela se sinta valorizada e desafiada na medida de suas possibilidades. "A idéia é expandir o conhecimento sem, no entanto, impor matérias ou conteúdos que não tenham significado para a criança." 
A história do surgimento do Projeto Clicar é conseqüente como a proposta. "Através do diálogo intenso com as crianças e adolescentes que visitavam espontaneamente a Estação Ciência, tentamos entender a sua freqüência inusitada num centro de ciências", conta Dirce. "Acreditamos que nossa postura de escuta e o real interesse demonstrado por eles com relação ao acesso ao computador foram essenciais para a construção do projeto. Além do estímulo da instituição, principalmente do diretor, professor Ernst Hamburger, que chamou o CEPECA para elaborar um estudo inicial da situação de atendimento do centro com relação a essas crianças", complementa.
Dirce explica que, desde o início, ficou claro que a proposta de atuação deveria conter, em sua essência, o desejo das crianças e ter um formato que não impusesse condições que impedissem a presença e retorno livre e, que adicionasse, principalmente, o prazer no processo de ensino-aprendizagem.
Lentamente, a idéia foi se consolidando, com muito bate-papo, criação de confiança e estabelecimento de vínculos entre os meninos, as meninas e os educadores, impulsionada pela doação da Olivetti dos primeiros computadores para a Estação Ciência, o que possibilitou a primeira organização de um espaço prioritário de atendimento a essa população.
Hoje, o Clicar atende 300 crianças mensalmente e tem um espaço com mesas disponibilizadas uma ao lado da outra formando um "S", o que facilita o contato entre as crianças e a orientação dos educadores e monitores. Tem lugar para pintura, leitura, jogos de mesa. São 20 computadores PCs e 3 Apple, da Macintosh. Treze deles possuem ligação com a Internet via rede da Universidade de São Paulo. O atendimento acontece de terça a sábado das 13 às 18 horas. Para os que freqüentam o período da manhã, o horário é das 10 às 12 horas, de terça a sexta.

Bel Leão

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