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Consórcio Social da Juventude

Somos  uma das entidades executoras em São Paulo dentro do Consórcio Social da Juventude Sampa. A entidade âncora é o Cursinho da Poli.

Com uma equipe de 20 professores desenvolvemos trabalho voltado a inclusão digital de 980 jovens da zona norte da cidade de São Paulo, durante os meses de março, abril e maio de 2005.

Depoimento

Pediram-me para escrever sobre o dia a dia no Consórcio e eu lembrei da nossa excitação nos primeiros dias do projeto. O Alexandre, nosso coordenador, gesticulava tanto na primeira reunião que me fez pensar naqueles velhos tempos em que nós, jovens, queríamos mudar o mundo. O CEPECA nos trazia o Consórcio e a possibilidade de concretizar este sonho. O grupo formado por jornalistas, psicólogos, professores tinha como tarefa fazer apenas a inclusão digital de jovens, entre 16 e 24 anos, que vivem na periferia da cidade. Mas encontramos uma garotada, às vezes apática e perplexa, outras violenta e agressiva contra uma sociedade de costas para eles. E nossos desafios ficaram bem maiores, passamos a querer despertá-los para buscar possibilidades, estimulando a consciência do lugar de cada um no mundo, se apoderando da própria história.

Um projeto ambicioso para tão pouco tempo, 15 dias, e ainda com o compromisso de fazer uma revista com cada turma.Fomos construindo nosso trabalho, passo a passo, dividindo experiências, material e afeto, tanto que nós, facilitadores do CEPECA, nos tornamos um grupo unido.Essa energia chegou às salas de aula, nossos alunos entenderam a mensagem e foram criadas condições para uma relação franca e honesta, a ponto de partilharmos experiências bem particulares, muitas vezes doloridas. E, com certeza, esses momentos se transformaram em crescimento, respeito e auto-estima. São dados possíveis de se aferir mais em olhares e sorrisos que em textos, provas e notas.

Aconteceram várias situações de insegurança, mas nestas horas sempre achamos novas possibilidades. Foi assim quando a Cecília, representante do CEPECA, nos trouxe uma máquina fotográfica digital. Naquele momento tentávamos achar uma forma de incluir alguns alunos "distantes". Tirar fotos e se identificar através delas promoveu uma mobilização fantástica e eu tive o privilégio de ser chamada de professora por quem até então me ignorava.

Falando assim, até pode parecer que tudo tem sido muito fácil. Não é verdade, o trabalho é árduo, com muitas noites mal dormidas, mas pródigas em idéias que surgem às quatro da madrugada. Também é bom lembrar que estas dificuldades tornam-se bem interessantes cada vez que se chega mais perto do que se deseja realizar.

O educador Rubem Alves diz que: "Os sonhos de beleza são capazes de transformar indivíduos isolados num povo". Nesta fase do projeto, que estamos terminando o trabalho com as primeiras turmas é possível experimentar destes sonhos, e isto é muito bom.

Vera Frederico (maio 2005)

 

         

         

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